Durante anos, o sistema tributário brasileiro serviu como uma cortina de fumaça conveniente para quem não enfrentava a realidade.
Sempre que a margem apertava, a explicação vinha pronta: “o imposto é alto”, “o cálculo é confuso”.
A complexidade escondia um problema mais profundo: muita gente nunca soube, de verdade, quanto custa operar.
Com a Reforma Tributária e a chegada do IVA (IBS/CBS), essa névoa começa a se dissipar.
O imposto deixa de estar “embutido” e passa a ser destacado. O preço deixa de esconder tributo. O cliente passa a enxergar o valor real do serviço — e o mercado também. Ou, pior, "como faço meu preço sem o imposto?". Acabou a referência (prejudicial) do mercado?
E é aqui que surge o choque de realidade.
Se o imposto agora é apenas um adicional matemático, a pergunta inevitável é simples e incômoda: qual é o seu preço base?
No modelo anterior, era possível precificar por sensação, por referência externa ou por comparação com concorrentes. O sistema ajudava a mascarar ineficiências internas.
No novo modelo, isso acaba (amém!).
Se duas empresas entregam o mesmo serviço, mas uma consegue cobrar menos antes do imposto, o problema não é tributário. É estrutural, desconhecimento ou contexto diferente.
O IVA não pune ninguém. Ele apenas revela diferenças de negócio ou quem tem uma operação eficiente e quem depende de desorganização para sobreviver.
Existe ainda um erro comum: achar que, como o imposto é destacado, o problema está resolvido. Não está.
O cliente continua olhando o valor final.
O mercado continua comparando preços.
E o caixa continua sentindo antes do lucro aparecer.
A diferença é que agora não há mais desculpa.
Esse novo cenário exige algo básico — e que, surpreendentemente, ainda falta em muitos negócios: domínio real dos custos; clareza de margem; gestão de fluxo de caixa; e, preço formado a partir de números, não de feeling.
A Reforma Tributária não é apenas uma mudança fiscal. É uma mudança de mentalidade. Quem trata o financeiro como simples controle de pagamentos vai sentir.
Quem trata o negócio como unidade econômica vai atravessar melhor.