Frederico Cattani

Advogado com experiência em aconselhamento de gestores e empresários | Atua em matérias complexas que exigem conhecimento, estratégia e senioridade | Conselhos Consultivos e de Administração | Direito Penal Econômico e Crimes Empresariais | Direito Eleitoral e Assessoria de Pessoas Públicas | Sucessão Familiar e Societária

1/02/26

Reforma Tributária "nem começou" e o IVA já ta dizendo quem não sabe cobrar (precificar).

Durante anos, o sistema tributário brasileiro serviu como uma cortina de fumaça conveniente para quem não enfrentava a realidade.

Sempre que a margem apertava, a explicação vinha pronta: “o imposto é alto”, “o cálculo é confuso”.

A complexidade escondia um problema mais profundo: muita gente nunca soube, de verdade, quanto custa operar.

Com a Reforma Tributária e a chegada do IVA (IBS/CBS), essa névoa começa a se dissipar.

O imposto deixa de estar “embutido” e passa a ser destacado. O preço deixa de esconder tributo. O cliente passa a enxergar o valor real do serviço — e o mercado também. Ou, pior, "como faço meu preço sem o imposto?". Acabou a referência (prejudicial) do mercado?

E é aqui que surge o choque de realidade.

Se o imposto agora é apenas um adicional matemático, a pergunta inevitável é simples e incômoda: qual é o seu preço base?

No modelo anterior, era possível precificar por sensação, por referência externa ou por comparação com concorrentes. O sistema ajudava a mascarar ineficiências internas.
No novo modelo, isso acaba (amém!).

Se duas empresas entregam o mesmo serviço, mas uma consegue cobrar menos antes do imposto, o problema não é tributário. É estrutural, desconhecimento ou contexto diferente.

O IVA não pune ninguém. Ele apenas revela diferenças de negócio ou quem tem uma operação eficiente e quem depende de desorganização para sobreviver.

Existe ainda um erro comum: achar que, como o imposto é destacado, o problema está resolvido. Não está.

O cliente continua olhando o valor final.
O mercado continua comparando preços.
E o caixa continua sentindo antes do lucro aparecer.

A diferença é que agora não há mais desculpa.

Esse novo cenário exige algo básico — e que, surpreendentemente, ainda falta em muitos negócios: domínio real dos custos; clareza de margem; gestão de fluxo de caixa; e, preço formado a partir de números, não de feeling.

A Reforma Tributária não é apenas uma mudança fiscal. É uma mudança de mentalidade. Quem trata o financeiro como simples controle de pagamentos vai sentir.
Quem trata o negócio como unidade econômica vai atravessar melhor.