Frederico Cattani

Advogado com experiência em aconselhamento de gestores e empresários | Atua em matérias complexas que exigem conhecimento, estratégia e senioridade | Conselhos Consultivos e de Administração | Direito Penal Econômico e Crimes Empresariais | Direito Eleitoral e Assessoria de Pessoas Públicas | Sucessão Familiar e Societária

12/30/25

Orçamento Base Zero (OBZ) é diferente de zero orçamento

Orçamento base zero não é sinônimo de “orçamento zero”. A confusão conceitual já revela parte do problema maior.

O brasileiro sofre em fazer projeções por três razões recorrentes: 1) falta de cultura de planejamento, 2) carência de conhecimento técnico aplicado e 3) uma superexigência operacional que consome todo o tempo disponível.

Vive-se o curto prazo como se ele fosse inevitável e prioridade constante, quando na verdade é uma escolha — muitas vezes para fugir do pensar sobre problemas.

Não há visão estratégica porque não se está acostumado a acreditar que estratégia funciona. Planejar, para muitos, ainda soa como exercício unicamente acadêmico, distante da “vida real”.

O paradoxo é que, só o ato de parar para pensar estrategicamente já gera ganho competitivo. Enquanto uns reagem, outros desenham o jogo.

Orçamento não é engessar a empresa vendo números sem finalidade. Mas também não é libertá-la da análise por não saber lê-los. Números não são o problema; a incapacidade de interpretá-los é. Diferente de olhar receita e despesa, como números que "são o que são", passar a entender precificação, margem de contribuição, ROI, e outros indicadores de performance. A estratégia sem números vira discurso. Números sem estratégia vira achismo.

O orçamento base zero, quando bem compreendido, não corta por cortar e não gasta por gastar. Ele força escolhas, explicita prioridades e obriga a organização a justificar cada real alocado. Isso não engessa: organiza. O engessamento real está na improvisação permanente disfarçada de flexibilidade.

Planejar não é prever o futuro com precisão. Mas usar projeções para caminhar em uma direção consciente. É reduzir ignorância, aumentar consciência e criar margem de decisão e análise de performance

CONCEITO DE OBZ
Orçamento Base Zero (OBZ) é um método de planejamento e controle em que todas as despesas precisam ser justificadas a cada ciclo, partindo do zero, e não do histórico.
 Nada é “automático”. Nada é “porque sempre foi assim”. Cada gasto só existe se fizer sentido estratégico no presente e no futuro do negócio. Não se trata de cortar custos, mas de alocar recursos com intenção, coerência e retorno esperado.

Cinco passos para compreender (e aplicar) o Orçamento Base Zero:

1. "Comece do zero", não do passado
Esqueça o orçamento anterior como referência automática. O ponto de partida é a estratégia atual da empresa, não a inércia histórica.

2. Defina claramente os objetivos estratégicos Antes de falar em números, deixe claro onde a empresa quer chegar. Crescimento, margem, eficiência, expansão ou proteção de caixa. O OBZ responde à estratégia — nunca o contrário.

3. Estruture pacotes de decisão
Cada despesa é tratada como um “pacote” com finalidade, custo, benefício e risco. Se não gera valor mensurável ou estratégico, precisa ser questionada.

4. Priorize e hierarquize recursos. Recursos acabam. O OBZ obriga a escolher "gastar onde?:: o que vem primeiro, o que pode esperar e o que simplesmente não faz mais sentido existir.

5. Acompanhe, revise e aprenda. OBZ não é evento anual, é disciplina de gestão. A leitura contínua dos números transforma o orçamento em instrumento de decisão, não em peça decorativa.

Orçamento Base Zero não engessa a empresa. Ele liberta da repetição inconsciente, substituindo hábito "sempre foi assim" por decisão "queremos que seja assim". Esse método deixa de reagir ao caixa e passa a governá-lo.